Trial version, Version d'essai, Versão de teste

Analytical summary - Gender and women's health

From AHO

Jump to: navigation, search

The English content will be available soon.

MulheresIlhadoFogo.jpg

Desde 1990, que o número anual estimado de mortes maternas em todo o mundo ultrapassa os 500 mil[1]. As taxas de mortalidade materna reflectem de maneira contundente a eficácia dos sistemas de saúde em geral, os quais, em muitos países de baixo desenvolvimento, padecem devido à precariedade da administração e da capacidade técnica e logística, à inadequação dos investimentos financeiros e à falta de pessoal de saúde capacitado.

A ampliação do número de intervenções – por exemplo, testagem anti-HIV no pré-natal, aumento do número de partos assistidos por pessoal de saúde capacitado, a garantia de acesso a cuidados obstétricos de emergência sempre que necessário e o provimento de atendimento pós-natal para a mãe e o bebé – poderia reduzir drasticamente a ocorrência de mortes de mães e de recém-nascidos.


A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), realizada em 1979 e hoje ratificada por 185 países, exige que os signatários “eliminem a discriminação contra a mulher no campo dos cuidados de saúde, de modo a garantir, com base na igualdade entre homens e mulheres, o acesso a serviços de cuidados de saúde, inclusive aqueles relacionados ao planeamento familiar.” E a garantia às mulheres serviços adequados em conexão com os períodos de gestação, do puerpério e no pós-natal[2].

Em Cabo Verde, as causas de morbilidade materna mais frequentes são infecções, anemia, hipertensão arterial e diabetes. Segundo dados do IDSR II cerca de 43,2% das grávidas e 36% das que amamentam apresentam anemia. Além de infecções genitais, os tumores benignos do útero e dos ovários e a endometriose são causas frequentes de consulta. Os cancros de colo do útero e da mama constituem importantes causas de mortalidade.

O aborto seguro nas estruturas de Saúde foi legalizado em Cabo Verde desde 1997, através da lei sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez - IVG (Lei No 7/87 de 14 de Fevereiro). No entanto existem factores relacionados com dificuldades de acesso físico, económico e cultural que constituem obstáculos à sua efectiva implementação. Embora não existam dados fiáveis sobre o aborto clandestino, sabe-se que ele é praticado, constituindo ainda uma ameaça à saúde da mulher.

O relatório sobre os Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento (OMD) 2007 considera que a mortalidade materna em Cabo Verde é baixa relativamente aos países da África subsaariana. Globalmente a taxa de mortalidade materna no país tem vindo a diminuir desde os anos 90. Ela tem oscilado entre os 33/100.000 em 2003 para 32,2/100.000 em 2004 e 17,3/100.000 em 2005, 15,8/100.000 em 2008, voltando a aumentar para 53,7/100.000 em 2009 que não permite inferir se há tendência crescente ou decrescente. Em números absolutos, variou de 11 em 2000, 4 em 2003 e 5 em 2006 e manteve o mesmo valor 2010 (Tabela 16 e Figura 2). As principais causas de óbitos maternos são eclâmpsia, hemorragia e sepsis[3],[4].


Tabela 16 - Óbitos maternos por causas directas por concelhos de residência, 2010

Óbitos maternos por causas directas por concelhos de residência2010.png


Não obstante os valores observados apontarem para uma tendência de melhoria da atenção à Saúde da Mulher. Causas obstétricas directa como eclampsia e gravidez extra-uterina foram as principais responsáveis pela mortalidade materna em Cabo Verde em 2007[5].

ObitosMaternos2001 2010.png

Gráfico 3: Óbitos maternos (n.ºs) de 2001 a 2010

As instituições públicas de saúde têm nas organizações da sociedade civil um parceiro importante, sério e engajado no domínio da promoção da saúde da mulher, particularmente da saúde sexual e reprodutiva.

A actuação dessas organizações está fortemente articulada com a do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva. A intervenção do sector privado tem permitido o aumento do leque de serviços colocados à disposição das mulheres. A VERDEFAM (Associação Cabo-verdiana para a Proteção da Família) é uma dessas organizações que gere e administra centros de aconselhamento e atendimento em vários municípios e cuja actuação é meritória[6].


Referências

  1. Situação Mundial da Infância, 2009. Saúde Materna e Neonatal, UNICEF, 2009
  2. Situação Mundial da Infância, 2009. Saúde Materna e Neonatal, UNICEF, 2009
  3. Situação Mundial da Infância, 2009. Saúde Materna e Neonatal, UNICEF, 2009
  4. Relatório Estatístico 2010. MS, 2011]
  5. Situação Mundial da Infância, 2009. Saúde Materna e Neonatal, UNICEF, 2009
  6. Situação Mundial da Infância, 2009. Saúde Materna e Neonatal, UNICEF, 2009